Agnella nunca vira
tantas pastas estranhas como as do armário 3C. Primeiramente teria que procurar
os inimigos de seu pai, mas uma pasta chamou-lhe a atenção, pois era a única
que era da cor preta com algo escrito em um tom dourado. Ela pegou-a
rapidamente e sentou-se na cama do pai. Na pasta continham muitas fichas, um
tanto quanto criminais, mas foi uma delas que a hipnotizou. Ela não olhou para
a lista e sim primeiramente para a foto. Estacou. O homem era simplesmente...
perfeito. Olhos azuis como o céu, cabelos pretos, lisos e curtos, pele branca,
nariz afilado, mandíbula marcada e a barba negra por fazer. Agnella ofegou.
Como nunca vira um homem desses antes? A curiosidade falou mais alto e quando
foi olhar a ficha completa dele Gabriele aparece na porta.
Trecho do 2° Capítulo - Preparativos.
sexta-feira, 12 de outubro de 2012.
Sua mente martelava perguntando quem matara seu pai. Que ele tinha
muitos inimigos, isso era óbvio, mas quem teria tamanho conhecimento de toda a
arquitetura da casa e toda a programação dos seguranças a ponto de entrar
completamente escondido e matá-lo? Iria descobrir nem que fosse a última coisa
que faria.
Dirigiu-se ao quarto do Sr. Gerevini e lágrimas escorreram por
suas bochechas, o cheiro de seu pai estava impregnado em todo o quarto. Entrou
no closet, tirou as roupas do caminho e deu de cara com uma parede que continha
um pequeno quadrado que pedia uma senha. Senha? Seu pai nunca dissera uma senha
a ela, mas tinha uma dica. No dia da morte, Francesco tinha dito que a dica
era: os olhos e os cabelos divinos.
Quando era uma garotinha, seu pai dissera que ela era idêntica à
sua mãe e que os olhos e cabelos de ambas eram os mais lindos que ele já tinha
visto em toda a vida, eram divinos. Contara também que sua mãe era da tribo
Araweté, situada no Brasil, no estado do Pará. Araweté. Araweté. Essa era a
senha! Tinha que ser.
Agnella aproximou-se, digitou a senha e a parede abriu-se. Entrou
na “sala” e encontrou vários armários. Armário 3C. Gritou de alegria ao encontrá-lo.
—
Hora de descobrir seus inimigos, papai – falou com um sorriso malvado no rosto.
Mais um trecho do 1° Capítulo - Quando tudo começou.
sexta-feira, 5 de outubro de 2012.
Agnella estava semi-acordada quando ouviu passos rápidos e vozes
baixas. Olhou para o relógio em sua mesa de cabeceira e constatava que eram
duas horas da manhã. Dormira tanto assim? Os passos continuaram. Pensou em
Donnatela, Fabrizio ou Gabriele, mas a essa hora eles deviam estar em um sono
profundo. Pensou também nos seguranças, mas estes deviam estar nos dormitórios da
mansão. Levantou-se rapidamente e abriu minimamente a porta. Ninguém. Era o que
achava, mas quando ouviu um barulho alto, seguido de um grito lânguido.
Percebeu que isso não era sinônimo de silêncio. Desceu as escadas e correu na
direção do grito, a biblioteca. Abriu a porta esbaforida e suas pernas falharam
quando viu a mesa central manchada de sangue e sentado na cadeira estava seu
pai, com a camisa e o rosto ensanguentados. Não teve tempo de gritar, Donnatela
e seus amigos já estavam ali, juntamente com os seguranças. Todos chocados.
Agnella aproximou-se do corpo e notou que havia um bilhete
enrolado nos dedos do pai, ainda trêmula leu em voz alta para todos.
—
INIMIGO BOM É INIMIGO MORTO.
Sentia as lágrimas escorrendo por suas bochechas e seus altos soluços.
As pernas falharam e seu corpo caíra no tapete felpudo da biblioteca. Seus
amigos a acalmavam enquanto Donnatela juntamente com os seguranças retiravam o
corpo do local. Mais fria do que nunca, Agnella levantou-se e olhou para todos.
Viu pena e tristeza que banhavam os olhos daqueles que prometeram protegê-la.
Olhou para a janela que estava aberta, provavelmente fora por ali que o assassino
de seu pai fugiu, pois quando entrou no recinto não havia mais ninguém.
—
Fabrizio, Gabriele, Donnatela. Está na minha hora de entrar para a máfia.
Trecho do 1° Capítulo - Quando tudo começou.
Agnella entrou apreensiva no recinto. Aos quinze anos fora
proibida de entrar na biblioteca, nem lembrava mais como era. Tudo era
perfeito. Livros e mais livros em enormes prateleiras que estavam no lugar das
paredes. Voltou ao mundo real quando ouviu o pigarro do pai.
— Agnella, o que eu vou lhe contar agora, requer muita
atenção e cuidado. Isso não pode sair daqui, certo? – ela assentiu.
— Mas...
— Não interrompa – ele respirou fundo e continuou — Você
sabe com o que eu trabalho, a nossa família sempre foi assim, em todas suas
gerações e com você não será diferente.
Um arrepio passou por seu corpo. Ela não queria aquela vida
para ela. Nunca!
— Papai...
— Estou falando. Atrás dessa enorme prateleira... – apontou
para uma prateleira à esquerda da grande janela —... tem uma passagem secreta.
Se alguma coisa acontecer aqui, entre nessa passagem, a pista da senha é: os
olhos e os cabelos divinos. Não posso dizer-lhe a senha porque você do jeito
que é, pode contar a alguém sem perceber, na hora certa você descobrirá. A mesa
de bilhar na sala de jogos é um compartimento de armas, puxe as travas e retire
a parte de cima da mesa, existem várias armas ali, de todos os tipos e
tamanhos. Escolha a melhor. Os cofres estão no piso do seu quarto. Puxe o
assoalho e terá acesso a eles.
— Mas, porque...
— Quieta. No closet do meu quarto por trás das roupas,
existem vários armários. Encontre o armário 3C, lá tem tudo sobre o meu
trabalho, senhas, inimigos... tudo. Esse Império será seu quando eu morrer, e é
melhor começar por agora. Termine sua faculdade e depois venha para o mundo da
nossa família. Você saberá o que fazer. Não conte tudo à Gabriele, Fabrizio, Donnatela...
não confie em ninguém, ouviu? Ninguém! Gabriele irá ensinar tudo a você e
Fabrizio será seu professor de todos os tipos de lutas existentes. Já está tudo
esquematizado. Vá para o quarto e respire um pouco, você obteve informações
demais.
Agnella estava congelada. Como assim do nada seu pai dá
essas notícias e ainda pede para não confiar em quem ama?
— Estou mandando você ir descansar Agnella. Obedeça! -
gritou seu pai perturbado. Não queria a filha naquele mundo, mas alguém tinha
que continuar os negócios... e ela era sua única herdeira.
Ela saiu correndo da biblioteca e foi direto ao quarto onde
se entregou ao mundo dos pesadelos.
Prólogo
segunda-feira, 1 de outubro de 2012.
Botas
pretas de cano alto, um longo vestido vermelho com decote em V e uma abertura
lateral começando pela coxa e indo até os pés, uma máscara de veludo vermelho
que cobria parcialmente seu rosto e um sobretudo preto que escondia sua
belíssima roupa. Essa era a vestimenta da elegante mulher que caminhava
cuidadosamente pelo sexto corredor da luxuosa mansão da família Amorielle¹. Sua arma favorita, uma
poderosa AK-47² estava guardada em um compartimento situado em suas costas. Quanto mais
caminhava pelo extenso corredor, mais ficava enojada de ver as fotos
emolduradas e penduradas nas paredes daqueles que destruíram o Império de seu
pai e que agora ela tentava reerguer.
²Arma potente capaz de fazer vítimas num raio de 300 metros a partir do disparo. A AK-47 é campeã no quesito mortes por minuto porque causa ferimentos graves e letais. Tem uma conhecida facilidade de uso e montagem. Um soldado pouco experiente é capaz de montar e carregar em cerca de um minuto.
Leia Mais
Parou em
frente à uma porta de madeira envernizada que continha um enorme número quinze
entalhado. Colocou um sorriso gigante nos lábios e entrou pacificamente na
sala.
Giuseppe
Amorielle, um homem com cabelos e olhos negros e um corpo pequeno e rechonchudo,
estava observando alguns papeis quando ouviu o estrondoso baque da porta
fechando-se. Levantou-se e rapidamente perdeu a voz ao ver que na
penumbra estava A MASCARADA. Era assim que a chamavam. Era conhecida por todos
como uma assassina profissional, mas ela era mais, muito mais do que
isso.
— Q-quem deixou você entrar? - Giuseppe perguntou raivoso.
A mulher sorria presunçosa e aproximou-se de sua mesa fazendo-o com que sentasse bruscamente.
— Onde está o seu chefe?
— Não interessa a você.
— Então se ele não está aqui, você servirá como aviso - a mulher falou sorrindo.
O homem não teve tempo para respirar, a mulher rapidamente pegou sua arma e deu um tiro bem no meio da testa de Giuseppe. Seu sangue rubro espalhou-se pelo tapete branco que continha na sala. Ela retirou sua máscara e pegou um pequeno bilhete que continha somente uma frase "A GUERRA COMEÇOU!", mas que tinha um enorme significado. Depositou os objetos no corpo do Amorielle e pulou habilidosamente a janela.
______________________________
¹A família Amorielle iniciada em 1902 por Alero Amorielle, conhecida pela sua vasta ficha criminal, foi acusada de fraudes a bancos, comércio de narcóticos e armas. Os Amorielle eram conhecidos como a Máfia da Duplicidade. Grande parte dos integrantes da família foram mortos nos conflitos com outras famílias, e até os dias atuais não se sabe o paradeiro dessa família.²Arma potente capaz de fazer vítimas num raio de 300 metros a partir do disparo. A AK-47 é campeã no quesito mortes por minuto porque causa ferimentos graves e letais. Tem uma conhecida facilidade de uso e montagem. Um soldado pouco experiente é capaz de montar e carregar em cerca de um minuto.